Cravadas tenho-as, unhas pintadas de um preto fosco, na carne que me evolve os osso, os músculos, o fervor, a rebelião; e cessados estão estes dois zeros e milhentas dúzias, noventa e uns, vintes, seis e um zero solitário. Pelo desabotoar das rosas, docil puerum, dirte-ei que tenho ainda guardado o ultimo suspiro, o suspiro que perfaremos, que poupei para nós.
Acordados estão os frangos que servirei amanhã pelo almoço. Qual carta de amor, não te peço nada que não a tua vida, enquanto te serves das aves que, durante todo este tempo, me acompanharam pela penúria e me anunciaram, fielmente, o acordar do rei sol. O rei sol é o meu Deus. É Rei, é Deus, porque a minha fé não passa pela democracia, a minha fé egoísta, como não podia deixar de ser, crê num Deus que seja, e que seja só para mim. Um Deus que acabe c/ a escuridão, com a espera infindável.
Ainda é de noite, no entanto. O céu, iluminado pela lua que foi, outrora, parte de uma promessa que me cantarolaste, parece, agora, mais perto.
Sacia-te, vetus de fel. O dia já nasceu e eu não dei conta, está na hora de aspirar-mos uma ultima vez.